terça-feira, março 25, 2008


Diferenciação das aprendizagens: princípios e aspectos críticos

Uma breve pesquisa às bases de dados sobre investigação educacional acessíveis, através das palavras-chave currículo e diferenciação remete-nos para um universo superior a 700 registos. Uma criteriosa selecção por relevância ou por data, coloca à nossa disposição uma panóplia de recursos, desde a investigação teórica, a literatura prática aos materiais em vídeo, CD rom ou mesmo aos kits multimédia…

O modelo de ensino diferenciado baseia-se em quatro princípios:

1) A definição clara dos conhecimentos e competências essenciais de cada área curricular;
2) A adequação das estratégias às diferenças individuais dos alunos, sejam elas devidas a diferentes competências, conhecimentos prévios ou estilos de aprendizagem;
3) A articulação entre o ensino e a avaliação;
4) O constante ajustamento dos conteúdos e dos processos, de forma a responder aos níveis de conhecimento e competências de partida, e aos estilos individuais de aprendizagem .

Assim, os elementos mais importantes de um ensino diferenciado são a escolha, a flexibilidade, a avaliação permanente e a criatividade, de que resulta uma diversificação dos conteúdos, ou de estratégias através das quais os alunos apreendem os conceitos, desenvolvem as competências, demonstram as aprendizagens que fizeram, através de produtos variados.

Quando o professor inicia uma lição, um tema ou uma unidade de estudo, planeia o que os alunos devem saber no fim desse percurso, os processos de aquisição dos conhecimentos e das competências e a forma como vai avaliar as aprendizagens de cada aluno.

Em situações específicas teremos de adaptar alguns objectivos para alguns alunos, mas a melhor prática é diferenciar as formas de apresentação e de exploração dos conteúdos.
A diferenciação dos processos refere-se à forma como os estudantes se vão apropriar dos conteúdos: na planificação tradicional o processo básico é a prática guiada, a componente mais estável da planificação, que o professor poderá complementar com actividades diferenciadas, agrupando os estudantes, de modo a poder acompanhar mais de perto os alunos menos autónomos, mas também pode experimentar o trabalho de pares ou de grupo, tirando partido dos alunos mais autónomos que estimularão os seus pares. Ou permitindo aos alunos mais autónomos um estudo mais independente, enquanto dedica mais tempo aos alunos que precisam de mais exercício.

A diferenciação na avaliação consiste em permitir aos estudantes demonstrarem o que aprenderam através de diversos produtos que permitam determinar os conhecimentos e competências adquiridos, tendo em conta as diferentes competências, estilos de aprendizagens e conhecimentos prévios. Produtos variados e testes ligeiramente adaptados são as formas mais comuns de diferenciação na avaliação.

Alguns nomes de referência em matéria de recursos profissionais:
Carol Ann Tomlinson
David Riley
Debbie Silver
Gayle Gregory
Kathie Nunley
Linda Tilton
Wendy Conklin
William Bender

3 comentários:

José Ventura disse...

Obrigado pelos recursos disponibilizados. Já conhecia Tomlinson.

Teresa Fonseca disse...

Pensa que os professores avaliam as raparigas e os rapazes da mesma maneira?

Paideia disse...

Teresa, a sua pergunta é muito curiosa.
A questão dos resultados escolares dos rapazes e das raparigas tem sido abordada em investigações, sobretudo de língua inglesa, mas são fundamentalmente baseada em resultados padronizados.
Há pucos estudos sobre os opiniões de professores e de alunos sobre as relações de género e a avaliação. Os poucos que há são estudos qualitativos que têm habitualmente um problema de validade externa, embora o seu objectivo também não seja garanti-la.

Uma coisa é óbvia: quanto mais subjectiva é a avaliação, maior é o risco de interligação entre as crenças individuais e a forma de avaliar.