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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

"Não passarei por este exercício governamental sem instituir um sistema de avaliação de professores".

O princípio é excelente. Mas tem de ser feito com rigor e com a concordância dos ditos. É que não estamos em ditadura. É por isso que a acção deste governo será julgada nas urnas. Ele passará, como todos os outros, os cidadãos ficarão. Faz parte das regras do jogo. Ninguém está a pedir ao Sr. Primeiro Ministro que seja flexível. Sê-lo ou não é problema exclusivamente seu, da sua sobrevivência política. Mas os cidadãos são organismos vivos, para o caso de ainda não ter reparado. Interagem com o ambiente, ajustam-se, adaptam-se,reagem-lhe, sobrevivem.
O Sr. Primeiro Ministro não pode ficar à espera que aceitemos todas as diatribes porque ele foi eleito nas urnas, isso não lhe dá qualquer direito de fazer as coisas como entende que devem ser feitas sem ter em conta o sentir dos cidadãos porque, em última análise, nós escolheremos outros que as façam e recorreremos a todas as instâncias do poder instituído para que lhe trave os ímpetos.

É verdade que não existe neste momento uma oposição consistente, mas também este factor é passageiro, não há que contar muito com ele, porque, não raro, é o próprio sistema que implode nas suas contradições internas. Quem sabe, a oposição mais forte não esteja a gerar-se internamente?

quarta-feira, dezembro 12, 2007


Bacharéis e futricas, parte II


Rindermann é um investigador alemão que efectuou um estudo exaustivo, em que evidencia as diferenças sistemáticas entre os resultados de avaliações internacionais como o PISA e em que correlaciona a distribuição geográfica dessas diferenças com a distribuição da inteligência média da população de cada país.

O investigador conclui então que a consistência entre os resultados dos testes internacionais e a inteligência média dos cidadãos dos respectivos países é um indicador de competências cognitivas ao nível macro.

Esta conclusão não é despicienda, já que as correlações aos diferentes níveis de análise - individual e nacional - podem ser muito diferentes e as conclusões de Rindermann têm implicações políticas significativas, no caso de os resultados do seu estudo virem a ser interpretados como diferenças imutáveis entre países, decorrentes da superioridade inata dos cidadãos de alguns países em relação a outros.

De facto, as conclusões de Rindermann parecem ser excessivamente simplistas e, por isso, cientificamente refutáveis, por não considerarem as diferenças individuais.

Mas como se vê, um estudo correlacional incorrectamente utilizado pode estabelecer as mais discutíveis - e alegadamente inocentes - relações de associação.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Serei mesmo uma professora eficaz?

Para me sentir profissionalmente eficaz, preciso de me sentir profissionalmente realizada, de sentir que o meu trabalho é importante, socialmente valorizado, faz sentido e marca a diferença.
Preciso de acreditar que os meus alunos vão progredir, ser bem sucedidos, de sentir que eu sou responsável pelo seu desenvolvimento como pessoas, de estar disposta e de ter tempo para reflectir sobre a minha prática e a melhorá-la, de estudar e de entender cada aluno,um a um, definir para cada um deles metas e estratégias que me dêem garantias de que lá chegaremos, de me sentir bem comigo própria como profissional , de ter satisfação com o progresso dos meus alunos, de ter a percepção de que exerço uma influência positiva nas suas aprendizagens, de que tenho com eles objectivos comuns, que eles os partilham comigo e se envolvem nas decisões que vou tomando, em termos de metas e de estratégias.

De momento, a percepção de auto-eficácia dos professores está em baixa, em consequência de uma política que os ignora, que os reduz a meros executores sem pensamento nem vontade próprios, os desenergiza, que sistematicamente os humilha e quase os encara como párias sociais.
É uma política que não pode dar bons resultados e que contém em si os elementos da auto-destruição, porque produz professores vergados à sua sobrevivência emocional, porque não produz professores reflexivos, porque lhes retira o grau de liberdade que é nuclear à sua profissionalidade.

Porque não há reforma nem renovação, humilhando e excluindo dela os que a vão desenvolver no terreno, reduzindo-os a executores medrosos e passivos.

segunda-feira, setembro 03, 2007


Arte Peripoética

Aristóteles, visita
da casa de minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de ser
contra a maneira do tempo
esta maneira de ver
o que o tempo tem por dentro.
Aristóteles diria
entre dois goles de chá
que o melhor ainda será
deixar o tempo onde está
pô-lo de perto no tema
e de parte na poesia
para manter o poema
dentro da ordem do dia.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só.
Ele sabia que o poeta
depois de tudo inventado
depois de tudo previsto
de tudo vistoriado
teria de fazer isto
para não continuar
com que já estava acabado
teria de ser presente
não futuro antecipado
não profeta não vidente
mas aço bem temperado
cachorro ferrando o dente
na canela do passado
adaga cravando a ponta
no coração do sentido
palavra osso furando
pele de cão perseguido.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de riso
que é a mais original
forma de se ter juízo
e ser poeta actual.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
também diria antes só
do que mal acompanhado
antes morto emparedado
em muro de pedra e cal
aonde não entre bicho
que não seja essencial
à evasão da palavra
deste silêncio mortal.


Ary dos SANTOS, 1965

terça-feira, julho 10, 2007



Da indisciplina



O novo Conselho Directivo atribuiu-me como tarefa de férias lectivas a coordenação do Grupo da Indisciplina, que tem por função reflectir sobre ela, caracterizá-la na Escola e propôr algumas soluções.

Como me pareceu que deveria ouvir colegas do pré-escolar e do 1º. ciclo do agrupamento, para procurar ficar com uma perspectiva mais diacrónica, tive hoje uma primeira entrevista com a colega do primeiro ciclo.

Desta entrevista muito rica, ficaram-me duas ideias essenciais:

Primeira, de que no primeiro ciclo, não há disponibilidade de recursos humanos para terem um gabinete de atendimento para os casos de indisciplina na sala de aula. Ora, em matéria de indisciplina, a intervenção pedagógica tem de se caracterizar por:

  • uma resposta rápida;

  • um tempo de qualidade entre o adulto e a criança/jovem, para que o adulto o ajude a reflectir sobre o que houve de inadequado no seu comportamento;

  • mais tempo de qualidade, para que o jovem verbalize o comportamento adequado que, numa situação idêntica, deveria ter adoptado;

  • um tempinho de qualidade, em que o jovem e o adulto possam conversar um bocadinho mais, fazer outras coisas juntos, como ler ou uma outra actividade, para "amenizar" os cambiantes daquele acto concreto de comunicação. Esta última é uma hipótese teórica muito minha, não li qualquer investigação que o comprove; as duas actividades anteriores têm uma eficácia que a investigação testemunha.

A segunda ideia que a Maria da Luz me transmitiu é a de que os meninos, de uma idade média entre os seis e os 10 anos actualmente chegam a passar um dia inteiro na Escola. A conclusão óbvia é a de que, estatisticamente, a conflitualidade se passará sobretudo no recinto escolar.

Contudo, observa a colega, todas as actividades têm de ser estruturadas, Assim sendo, nestas doze horas, os meninos estão constantemente em actividades sujeitas a regras: as regras da aula, as regras do refeitório, as regras do estudo, as regras dos tempos livres, todas diferentes, dependendo as actividades.

Mas onde está o tempo de qualidade só para brincar, para treinar a autonomia e a responsabilidade, a exploração do mundo, a apropriação de significados, com base em actividades mais livres e menos estruturadas, com adultos, mas também sem adultos, para treinar competências motoras, como subir às árvores, competências sociais, como apanhar o figo, atirá-lo à cara da irmã e saber lidar com a fúria dela, numa típica situação de conflito ou competências individuais, de organização e estratégia pessoal, do tipo, já fui nadar no rio e ainda quero ir aos melros hoje. A ver se me despacho e saio de casa sem a mãe dar conta.

Quando eu reagi à sua descrição da Escola como um Universo cada vez mais concentracionário (não tenho presente a expressão exacta da Maria da Luz, mas penso ser-lhe fiel com esta descrição), dizendo-lhe que os professores (e os funcionários, naturalmente) sempre fazem um esforço para amenizar e colorir o mundo da escola, a Maria da Luz explicou-me tudo muito bem explicado e eu penso que percebi o seu ponto de vista.


Ainda há que ter em conta que a moratória social é cada vez mais longa e aumentou exponencialmente numa única geração: cada vez os cidadões passam mais anos na escola. Que consequências podem advir desta realidade?

sábado, junho 30, 2007



Bem recordar



Em 1964, os Beatles fizeram uma tournée mundial que começou em Copenhaga e terminou a 30 de Junho, em Brisbane, na Australia.



Como diz na notícia:
Beatles fans scream like jet flight.
Ora veja: e depois comente com esse ar circunspecto, sisudo e grave: "Ai, a juventude de agora!", e tal...

quarta-feira, junho 27, 2007




A bem dizer...


Encontrei o blogue da Marina através do Canto do Vento. Numa das últimas entradas, a Marina diz assim:

"A Escola. Uma grande parte de mim.No entanto, raramente falo dela neste meu sítio.Não porque quero, de forma alguma, esconder dos outros esse Universo que é para mim de tão grande importância, mas porque prefiro, na maioria das vezes, protegê-lo da exposição pública que este meu blog proporciona.Diversas vezes tive vontade de escrever aqui algumas linhas sobre o meu modo de sentir e viver a Escola. Hoje, depois de ler aqui o texto da Matilde, com quem tantas vezes partilhei opiniões, dúvidas, tristezas e esperanças, achei que era o momento."

Pois o que eu pedia à Marina é que escrevesse sobre a escola, sobre a relação pedagógica, esse universo que a investigação diz ser tão difícil de descrever. Não só pelo universo em si, mas também pelo que esta escrita nos pode iluminar sobre a profissionalidade docente, nas suas mais diversas dimensões e componentes.
O material que vamos deixando na net pode ser fonte de inspiração para projectos de investigação de outros colegas que se interessem por estas áreas de investigação. Sobre outros universos qualquer pessoa pode escrever, sobre o mundo da escola, os professores estão numa posição privilegiada e única.
Além disso, se a Escola é uma grande parte de nós, então, o melhor mesmo é que nos entendamos com ela, que a descrevamos, que a perscrutemos, como forma de nos entendermos a nós próprios.

sábado, junho 09, 2007

Retalhos da semana
E que me dizem destes cabeçudos, espalhados assim nas árvores, pelas colegas de Educação Visual e Tecnológica Margarida e Lurdes, que me transportam para o universo mítico de "Midsummer Night's Dream"? Professoras fantásticas, não acham? Cliquem na fotografia para apreciarem os pormenores (sim, elas também são giras...)
Posted by Picasa

segunda-feira, junho 04, 2007


Identidade e construção: a figura feminina representada na pintura