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sexta-feira, novembro 06, 2009







Da alegria e da tristeza, Kahlil Gibran

A alegria é a tristeza sem máscara.
Tal como a fonte de onde brota o riso
e que transbordou das nossas lágrimas.
E podia ser de outra maneira?
Quanto mais profunda é a tristeza, maior é a alegria.
O copo que contém o vinho não teve de ir ao forno alto?
A madeira do alaúde que nos acalma o espírito,
não é a mesma de que são feitos os cabos das facas?
Quando estamos alegres e vamos ao fundo de nós próprios,
o sofrimento antigo não é agora o motivo do deleite?
Tal como a tristeza que nos faz olhar
e ver no sofrimento as alegrias passadas.

Podemos até pensar “a alegria é melhor que a tristeza,
enquanto outros dirão: “Não, melhor que a alegria é a tristeza”
Eu vos digo que uma e outra são inseparáveis.

Na verdade, tristeza e a alegria são como os pratos da balança.
Só quando estamos vazios é que a balança está em equilíbrio.
Quando o guardião de tesouros pesa o nosso ouro e a nossa prata,
uma delas – a alegria ou a tristeza – há-de fazer tombar um dos pratos da balança.

Traduzido: Idalina Jorge, 06-11-2009

domingo, junho 15, 2008


Tranquilidade, trabalho... e um friozinho no estômago

Atrevo-me a propor que todos os textos dos adultos sobre a época de exames comecem assim.


Por tranquilidade, entende-se o resultado natural de um período prolongado de tempo em que se desenvolveu uma atitude de responsabilidade face ao estudo, que permite ao jovem estudante estar razoavelmente ciente da qualidade da sua preparação e que se traduz num bem-estar e numa auto-confiança acrescidos, que constituem a compensação máxima do esforço disciplinado e atento.

Por trabalho, entende-se que o tempo que precede os exames constitui o compasso de espera ideal, para rever cuidadosamente as matérias, ensaiar respostas, articular, enquadrar, aprofundar o entendimento dos temas de estudo, pela leitura, pela escrita e pela reflexão.

O friozinho no estômago também faz parte da receita; primeiro, porque quem desenvolveu o seu sentido da responsabilidade está ciente de que está numa hora de se exceder, de dar o seu melhor. E porque o risco de falhar, sempre presente, tende a ser inversamente proporcional ao esforço continuado, persistente, comprometido.

Quanto ao resto, um ambiente familiar tranquilo, confiante, uma boa dieta alimentar, um chá de tília (se necessário), uma dose extra de chocolate e uns passeios bem conversados à beira-mar fazem o resto.

Palavra de mãe em plena época de exames nacionais (e complementares).
Até se fica com paciência e bom humor de sobra que permitem diálogos no messenger como este:
J. diz:
olha la keke um gajo tem de saber sobre lusiadas mais o menos
I. diz:
pá, lusíadas é estrutura interna e externa, os planos da narrativa, tens q saber q é uma epopeia q exalta o herói colectivo q é o povo português... e as diferenças e semelhanças c a mensagem... se fores ao livros d apoio a exames tá td lá
J. diz:
n tenhu
Jo. diz:
podesme diser as semelhanças e difrencas
I. diz:
ou no livro d portugues tb tá lá
I. diz:
Lembras-te daquele tpc q era fazer as semelhanças e diferenças c base em textos q a stora deixou no moodle? nesses textos tá td
J. diz:
umm ok
J. diz:
bgd
I. diz:
tá-se

(foto: istockphoto)

terça-feira, maio 27, 2008



Eu sou contra as reprovações

Penso que, em princípio, qualquer pessoa será.

Reprovar um aluno haveria de ser sempre a última das últimas soluções.

Há-de haver sempre uma melhor.


Mas sou pelo esforço


Como, por exemplo, que o jovem que aprendeu pouco num ano, siga um programa de recuperação no ano seguinte, em consonância com as dificuldades que enfrentou.

Que haja condições e recursos para operacionalizar o programa de recuperação, não parece difícil.
Que haja garantias de que o jovem vai mesmo seguir esse programa de recuperação - aí reside o problema.

Uma solução desta natureza implica esforço. Da escola, da família, acima de tudo, do próprio.

O esforço é uma acção volitiva - e/ou energérica - que envolve ter um objectivo e estar disposto a vencer obstáculos para o atingir.


Se o objectivo não é percepcionado como válido e importante, todo o esforço se resume a um desgaste fútil de energias, a uma luta sem glória e sem lógica.


Como é que se pode voar sem a asa do desejo?


Uma Escola baseada no esforço numa sociedade hedonista, materialista, em que o que conta não é o esforço, mas o que se tem e se consegue sem ele, é uma escola cercada.

sexta-feira, maio 02, 2008

Numa sexta-feira entalada entre um feriado e um fim-de-semana, o melhor é tirar partido do Dia da Mãe, para aprender várias formas de expressar o carinho, com ideias interessantes que podemos recolher aqui e que vão deixar as mães mais felizes. Por um momento, há-de saber bem acreditar que um filho pensa de nós que

You are the best mother of the Universe

sexta-feira, abril 25, 2008

Liberdade


Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser.

(Goethe)

sábado, março 15, 2008


Para bom entendedor, um modo verbal basta


A entrevista do Prof. Adriano Moreira a Mário Crespo foi bastante esclarecedora, não apenas pelo conjunto da mensagem, mas, e sobretudo, por algumas subtilezas. O Sr. Professor afirma que seria necessário um grande esforço para recuperar a confiança entre o Ministério da Educação e os seus tutelados.



Ora, um raciocínio não é uma mera questão de derivação sintáctica: é sobretudo uma questão de derivação semântica - construímos modelos mentais utilizando o significado das premissas e os conhecimentos gerais em que o modelo mental tem uma estrutura idêntica à da situação que ele representa.



A expressão condicional seria necessário implica diversas leituras:



. O grande esforço teria de ser feito;

. Sendo feito, nada garante que tivesse êxito, porque poderia ser percepcionado pelos intervenientes como não suficientemente grande ou suficientemente sincero, ou suficientemente justo para ambas as partes.



Em relação ao esforço a realizar, os factos apontam para uma ausência de vontade política em fazê-lo: o Partido Socialista marca um comício de desagravo uma semana a seguir à manifestação dos professores, o Dr. Vitalino Canas vem à televisão falar em "esquizofrenias de recuos", em que se arroga em único protagonista mentalmente são; a seguir, fala de um tempo para "esquecer os erros", quando já passou ao senso comum que reflectir sobre os erros é uma forma profícua de aprendizagem, que o porta-voz do governo entende não ser necessária; o Sr. Secretário de Estado Jorge Pedreira garante que a equipa do ME se mantém determinada num objectivo, quando já se percebeu que estamos perante uma autêntica caricatura de uma determinação que hora a hora se esfarrapa e esboroa em parêntesis, contingências e relativismos de contexto, em que o Sr. Secretário de Estado, com um ar de soldado sem campo de fuga, entrega o peito à espada inimiga e implora que o transformem em vítima, para não ficar na história como carrasco.



Em segundo lugar, mesmo que o esforço fosse feito, nada garante que viesse a ter êxito. E nada garante porque, tal como o Sr. Professor Adriano Moreira reconhece e afirma, qualquer entendimento entre duas partes se baseia na confiança mútua e ele próprio evidencia de várias formas que essa confiança dificilmente terá alguma hipótese de ser recuperada.



Essa recuperação é manifestamente impossível. Primeiro, do lado dos sindicatos, há uma mole de 100 000 pessoas, que é um capital jamais acumulado. Desbaratá-lo seria uma grande falta de habilidade política. Segundo, por parte das Escolas e dos professores, a equipa tutelar criou distâncias, mal-entendidos, humilhações, obstáculos comunicacionais de toda a ordem, para lá do aceitável ou recuperável.



Aquilo a que vamos assistir, porque o Sr. Primeiro Ministro não pode, neste momento perder a face, dispensando a equipa, será um lento, penoso, deteriorante, processo de não-diálogo que só contribuirá para atrasar os processos de decisão, que mais concorrerá para desacreditar esta equipa.


É um espectáculo deprimente e gerador de uma esquizofrenia identitária, porque afinal a equipa que tutela o Ministério da Educação é, também ela, constituída por professores que revelaram uma enorme distância transaccional com os seus interlocutores mais próximos – até neste aspecto o Prof. Adriano Moreira se demarcou, por um lado, ao criticar a existência da articulação comunicacional, cultural e procedimental e entre os ensinos superior e não-superior e, por outro lado, ao revelar que ainda faz parte de uma assembleia de uma escola secundária, constituindo-se assim a imagem viva da necessidade de os académicos conhecerem a realidade em que se movem, para não se alienarem.


(Declaração de princípios: esta não é uma verbalização da insatisfação em relação ao modelo de ensino - é apenas um convite à colega que tenha vergonha na cara e se demita)

terça-feira, dezembro 11, 2007



Prevalência das alterações do espectro do autismo em alta

As actuais estimativas de prevalência do autismo e de alterações do seu espectro são dez vezes superiores em relação aos estudos os anos 80 e 90.
Actualmente, estima-se que seis em cada mil pessoas sofre de alterações do espectro do autismo, apresentam dificuldades de interacção social, de comunicação, têm actividades e interesses repetitivos e restritos.
Investigadores como Lathes procuram novas hipóteses explicativas e apontam para causas hereditárias e ambientais.

A susceptibilidade genética é cada vez mais evidente e o espectro do autismo está entre as alterações do foro psiquiátrico em que a hereditariedade tem mais peso.

Mas as explicações que atribuem as alterações do espectro do autismo à conjugação de factores genéticos e ambientais, designadamente a exposição a metais pesados, ganham terreno.

Investigação recente tem vindo a atribuir aos factores ambientais certos danos do sistema límbico e do sistema imunitário, causadores de perturbações do espectro do autismo.

sexta-feira, novembro 30, 2007



"O pessimismo é um hábito enraizado que tem consequências devastadoras e nefastas: humor depressivo, resignação, insucesso e, surpreendentemente, falta de saúde”.
Seligman, 1996

domingo, novembro 11, 2007


analIsar o erro


Às vezes damos com erros que os nossos alunos cometem nos testes, cuja origem não conseguimos compreender. Damos voltas à cabeça para entender a razão e formular assim uma hipótese que será sempre provisória.
O meu colega Júlio comentava comigo aquela nova de eles conjugarem o verbo to be na terceira pessoa, numa fórmula algo idêntica a, por exemplo, Peter I’s (pronto, computador, tu também estranhas eu sei, mas deixa-te lá de risquinhos vermelhos, que aqui, quem faz os risquinhos vermelhos somos nós…).
Uma questão que tem quebrado a cabeça à investigação é a da influência da língua materna sobre a segunda língua: falta-nos uma metodologia suficientemente estável e convincente, nos seus princípios essenciais, uma investigação rigorosa dos três tipos de efeitos da L1 e uma lista de variáveis externas idealmente controladas, tais como a idade, o tempo de aprendizagem da L2, o tipo de tarefa, embora nenhuma destas variáveis tenha efeitos tão consistentes como o pano de fundo da língua materna, a influenciar escolhas vocabulares, padrões sintácticos e outros.
Cá para mim, esta rejeição inicial do I, um I maiúsculo que se afirma na sua importante independência maiusculante (perdoe-se me o neologismo atordoado) prende-se com a falta de uma correspondência, em importância, de uma vogal isolada em Português. Todas as vogais isoladas em Português não passam de categorias menores, como uns obscuros determinantes e umas minúsculas conjunções.
Aquele I maiúsculo e solitário tem de ser assumido, como um grande I desenhado no peito a assumir-se inteiro, como pessoa primeira na minha lista de opções: I. (no período das operações mentais concretas, com o indicadorzinho a ajudar, não se esqueçam...)

terça-feira, outubro 09, 2007




Solução extrema para a proximidade de Sua Excelência, o Sr. Primeiro Ministro (certifique-se da sua boa condição física).

sexta-feira, outubro 05, 2007

Logicamente?

Nas Escolas em que já foram adstritos recursos humanos à avaliação de desempenho, parece-me que há que clarificar se a avaliação de desempenho vai ou não ter início este ano. Se não vai ter início este ano, então faz sentido que os recursos humanos regressem às actividades com os alunos.
Se uma parte substantiva dos recursos humanos é alocada à avaliação de desempenho, então vai haver uma redução substantiva nas horas dedicadas ao trabalho com os alunos, logo, não vamos ter ao seu dispor a mesma quantidade de professores, nem a mesma diversidade de formas de enquadramento.
Saber de fonte certa, e sem quaisquer dúvidas, se a avaliação de desempenho começa este ano ou só para no próximo ano, vai determinar se os recursos que lhe foram destinados no início do ano lectivo se mantêm nessa função ou, pelo contrário, voltam ao serviço das actividades com os alunos.
Este raciocínio parece lógico?
Nem tudo o que parece é.

segunda-feira, setembro 03, 2007


Deixa-te lá de teorias!




Quem é que já não ouviu esta frase? Quando alguém procura uma explicação para um fenómeno que não se fique pelo senso comum, do “acho que”, haverá sempre um outro que disparará a frase mágica dos apressados:

Deixa-te lá de teorias! (e normalmente está toda a gente com muita pressa...)

Mas o que é afinal uma “teoria”?

Em termos etimológicos,uma teoria é uma visão; a palavra vem do grego θεωρία, que significa representação pública; em latim, o termo adoptado foi speculari ou ainda contemplari.

O conceito assume assim a acepção de ver, olhar, observar atentamente; mas o conceito foi também adquirindo o significado de visão intelectual, seja ela racional, intuitiva ou imaginativa.

Toda e qualquer atitude cognitiva tem de ser lógica e coerente e que ultrapassar o superficial e o opinativo (o tal achismo do eu acho que…), pelo que, quando falamos de teoria, seja ela científica ou filosófica, estamos sempre a referir-nos a uma “visão intelectual”.

A ciência actual, mercê sobretudo do desenvolvimento dos métodos de investigação, da valorização das metodologias qualitativas, que se incluem nas chamadas correntes pós-positivistas, passou a atribuir grande importância à intuição racional e à imaginação racional.

Ora, a intuição, propõe Bachelard , tem dois níveis: o sensível e o racional, embora a intuição sensível levante obstáculos epistemológicos.Mas a intuição racional já procede de uma escolha e Bachelard atribui-lhe um valor muito particular; vejamos a distinção entre uma e outra feita por Bachelard:


Outrora, a filosofia geral da experiência em física foi muito bem expressa por esta fórmula de Paul Valéry: é preciso, diz o poeta, que, para glória da visão, «se reduza o que se vê ao que se vê». Hoje diríamos, se quiséssemos traduzir a verdadeira tarefa da microfísica: é preciso reduzir o que não se vê ao que não se vê, passando pela experiência visível. A nossa intuição intelectual tem vantagem sobre a intuição sensível. O nosso domínio de verificação material apenas nos fornece uma prova excedente para os que não têm a fé racional. Pouco a pouco, é a coerência racional que suplanta em força a coesão da experiência usual (BACHELARD, Études).

Bachelard fornece-nos ainda um quadro conceptual do espírito científico. Leiamos:


A ciência, na sua necessidade de realização como no seu princípio, opõe-se absolutamente à opinião, (o senso comum). Se acontece, num ponto particular, legitimar a opinião, é por razões diferentes das que fundamentam a opinião; de forma que esta, por direito, nunca tem razão. A opinião pensa mal; não pensa; traduz necessidades em conhecimentos. Ao designar os objectos pela sua utilidade, impede-se de os conhecer. Nada se pode basear na opinião; primeiro, há que destruí-la. Ela é o primeiro obstáculo a ultrapassar. Não bastaria, por exemplo, rectificar o senso comum em pontos particulares, como uma espécie de [...] conhecimento vulgar provisório. O espírito científico impede-nos de ter uma opinião sobre questões que não compreendemos, sobre questões que não sabemos formular claramente. Antes de mais, é necessário saber por problemas. E diga-se o que se disser, na vida científica os problemas não se põem a si próprios. É precisamente este sentido do problema que dá a marca do verdadeiro espírito científico. Para um espírito científico, todo o conhecimento é a resposta a uma questão. Se não houve questão, não pode haver conhecimento científico. Nada é evidente. Nada é dado. Tudo é construído" (BACHELARD, La formation de l´esprit scientifique, Vrin, Paris, p. 16).

A posição epistemológica de Popper nesta matéria é também reveladora :

Partimos, de um problema, uma dificuldade. Pode ser prático ou teórico. Seja o que for, quando primeiro encontramos o problema não podemos, obviamente, saber muito a seu respeito. (...) Devemos, portanto, produzir essas soluções mais óbvias; e devemos criticá-las a fim de descobrir porque não funcionam. Assim ficamos a conhecer o problema e podemos passar de soluções más para outras melhores - sempre, contudo, desde que tenhamos capacidade criativa para produzir suposições novas, e mais suposições novas" (POPPER, Conhecimento objectivo).Ora, tal como Kosik salienta, a praxis utilitária imediata e o senso comum a ela correspondente colocam o homem em condições de orientar-se no mundo, de familiarizar-se com as coisas e manejá-las, mas não proporcionam a compreensão das coisas e da realidade.

A complexidade dos fenómenos que vivemos no nosso quotidiano constitui apenas, como Kosik também afirma, o mundo da pseudoconcreticidade: é com frequência que ouvimos pseudo-argumentos do género “é o que me parece”.Tudo o resto fica por explicar:mas é neste ponto que começam as chamadas perguntas difíceis que nos obrigam a pensar de forma mais crítica:

Como é que se formou a ideia?
O que a alimenta, isto é, quais são as provas, as razões?
Quais são as possíveis objecções?
Quais são as suas consequências e implicações, o que deriva das premissas, quais são as consequências a enfrentar?

Não é raro que cheguemos a explicações do tipo porque sim.

Portanto, quando nos dizem “deixa-te de teorias!”, temos de ter em mente que uma teoria bem fundamentada é muito mais prática, objectiva e eficaz do que os muitos “porque sim” com que a falta de um pensamento verdadeiramente crítico nos contempla.

sábado, setembro 01, 2007

O lado errado das férias: limpar estantes

 
Posted by Picasa

quinta-feira, agosto 23, 2007

Cena viking
Aqui vou eu a caminho do Meco para um encontro schoomzebloguista.

terça-feira, julho 03, 2007



Obviamente...


Conheço Vítor Ramalho, deputado socialista pelo distrito de Setúbal, desde 1970. É uma pessoa dotada de uma sensibilidade e de uma educação únicas e naturalmente requintadas. A vida e a carreira acentuaram a sua natural ponderação no uso do verbo. Na entrevista que deu a Mário Crespo, todos estes traços de carácter se evidenciaram, quando afirmou que todas as "coincidências" de atentado às liberdades individuais SÓ prejudicam o partido que representa.


A mim também me parece.

sábado, junho 30, 2007



Bem recordar



Em 1964, os Beatles fizeram uma tournée mundial que começou em Copenhaga e terminou a 30 de Junho, em Brisbane, na Australia.



Como diz na notícia:
Beatles fans scream like jet flight.
Ora veja: e depois comente com esse ar circunspecto, sisudo e grave: "Ai, a juventude de agora!", e tal...

sexta-feira, junho 22, 2007

Eu vi a morte
de noite. névoa branca.
entre os frascos do soro
rondar a minha cama


era um trasgo
e como tal metera-se
pelas frinchas; noutra versão
coando-se através
dos nós da madeira
ou noutra ainda
imitando à perfeição
o gorgolejar da água
nos ralos: eu tremia
covardemente enquanto
ela raspava a parede
com unhas muito lentas

eu vi? ouvi a morte?
com toda a probabilidade
e por instantes
era ela. luz negra.
tentando cegar-me


Sturla Strand: "Sea mist" - fotografia a preto e branco, 2001