terça-feira, maio 27, 2008



Eu sou contra as reprovações

Penso que, em princípio, qualquer pessoa será.

Reprovar um aluno haveria de ser sempre a última das últimas soluções.

Há-de haver sempre uma melhor.


Mas sou pelo esforço


Como, por exemplo, que o jovem que aprendeu pouco num ano, siga um programa de recuperação no ano seguinte, em consonância com as dificuldades que enfrentou.

Que haja condições e recursos para operacionalizar o programa de recuperação, não parece difícil.
Que haja garantias de que o jovem vai mesmo seguir esse programa de recuperação - aí reside o problema.

Uma solução desta natureza implica esforço. Da escola, da família, acima de tudo, do próprio.

O esforço é uma acção volitiva - e/ou energérica - que envolve ter um objectivo e estar disposto a vencer obstáculos para o atingir.


Se o objectivo não é percepcionado como válido e importante, todo o esforço se resume a um desgaste fútil de energias, a uma luta sem glória e sem lógica.


Como é que se pode voar sem a asa do desejo?


Uma Escola baseada no esforço numa sociedade hedonista, materialista, em que o que conta não é o esforço, mas o que se tem e se consegue sem ele, é uma escola cercada.

2 comentários:

ana paula pinto disse...

É isso mesmo: uma escola cercada. Diariamente uma luta corpo a corpo para cativar, para insuflar ânimo, para acicatar a vontade de aprender.E a frustação de não conseguir. Às vezes parece que estamos quase lá e depois... Faltas sem justificação plausível, desculpas esfarrapadas para não se fazerem trabalhos fundamentais.E a par disso, a ilusão do futuro fácil, a certeza de vir a ser como o Cristiano Ronaldo que (dizem)até atirou uma cadeira a uma professora.

Professorinha disse...

Concordo em tudo contigo, só que isso que estás a dizer está a transformar-se num facilitismo exacerbado que vai levar garotos ao 9º ano sem saber ler ou escrever... Tudo porque nos pedem coisas que nós não conseguimos fazer sem condições nem tempo!