sábado, maio 19, 2007

Em Arcos de Valdevez, foi anunciada a fusão, no mesmo agrupamento de duas Escolas: a EB2.3 dos Arcos e a Escola Secundária Tomaz de Figueiredo, de que resultaria um mega-agrupamento de 2500 alunos, 300 docentes, 120 funcionários e 28 escolas.
Esta medida tem sido objecto de protestos por parte dos alunos, dos seus pais e da própria vereação da Câmara de Arcos de Valdevez.
Nestes protestos são aduzidos argumentos de que, nem a autarquia, nem os pais foram ouvidos no processo de tomada de decisão.
Segundo o vereador da autarquia arcuense, a câmara não foi ouvida, como deve ser sempre ouvida em matéria de ordenamento escolar e a decisão vai contra a Carta Educativa, homologada em Dezembro último, em que se apontava para três agrupamentos.
Trata-se assim de uma decisão unilateral, tomada à revelia dos intervenientes legítimos e de documentos orientadores gizados em diálogo e negociação, o que constitui um primeiro problema.
Um segundo problema prende-se com a dimensão que o agrupamento pode atingir. Efectivamente, um agrupamento de 2500 alunos é ingerível, sobretudo em matéria de condições pedagógicas, de organização escolar e de clima escolar.
Do que tenho observado em sistemas educativos europeus, existem efectivamente agrupamentos verticais que vão do 1º. Ciclo ao final da escolaridade, nesses países o 12º. Ano, que contudo, não atingem mais de 800 alunos, distribuídos em espaços bem delimitados, consoante o ciclo de ensino, não se verificando a convivência de alunos com faixas etárias muito distintas.
A investigação aponta claramente que, no que diz respeito à variável escola, para o clima escolar como principal factor que pesa no abandono escolar.

sexta-feira, maio 18, 2007

Floriram por engano as rosas bravas

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que num momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze --- quanta flor! --- do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Camilo Pessanha


Diversificar percursos, ofertas e oportunidades

Eu penso que as escolas EB 2.3 têm de começar a equacionar seriamente, em função das características da sua população, em oferecer formação de nível II.
Não podemos continuar a negar a evidência de que há alunos para os quais um currículo normal é desajustado, que continuam a arrastar-se por currículos alternativos que não lhes permitem explorar as suas potencialidades, demasiadamente centrados no raciocínio verbal e abstracto; estes alunos são cidadãos que merecem por parte do sistema educativo soluções mais funcionais e criativas de integração, num processo verdadeiramente inclusivo, em que cada um se desenvolve ao seu ritmo e de acordo com o seu estilo de aprendizagem; são alunos cujo perfil exige, para seu bem, para que se desenvolvam harmoniosamente e se venham a enquadrar no tecido produtivo, de acordo com as suas competências e perfil, um currículo mais centrado em competências práticas.
De um modo geral, as Escolas 2.3 têm recursos humanos ou facilmente podem recorrer à comunidade para os recrutar, nas mais diversas áreas de actividade - lavandarias, padarias, pequeno comércio e serviço, autarquias, vários perfis de profissionalização - e é errado que as escolas não adoptem soluções que caminhem e apostem decisivamente nessa direcção.

quarta-feira, maio 16, 2007

Juntei à minha lista de educação o blogue O quadro preto, que descobri hoje.

Cumprido o ritual democrático, a Lista B constituirá a direcção do Agrupamento para o próximo triénio. Desejo-vos as melhores felicidades e sobretudo muita energia e determinação para cumprirem o vosso programa.
Somos um agrupamento que pensa, com pessoas com capacidade de continuamente se interrogarem e, como disse o Aires, e cito de memória, para pensarmos cada vez melhor são necessárias muitas cabeças.
Cumprimento ambas as listas pelo ânimo que revelaram, porque ele reflecte bem as potencialidades de desenvolvimento deste agrupamento e o valor dos nossos recursos humanos.

O pensamento crítico articula as dimensões cognitiva e afectiva do indivíduo, pois não basta dispor das competências cognitivas se não houver motivação para as mobilizar.
Na dimensão cognitiva incluem-se um conjunto de competências de processamento e de produção de informação, capacidade de argumentação , de concentração num tema, tarefa ou opinião, dos seus pressupostos, a clarificação, a análise, avaliação da validade e da consistência dos pressupostos, das fontes de informação, sendo este último aspecto da avaliação essencial.
O cometimento intelectual para utilizar essas competências diz respeito aos aspectos disposicionais – não basta uma mera aquisição e retenção de conhecimentos, ou o domínio de um conjunto de competências – a informação tem de ser procurada e tratada de forma própria, as competências têm de ser utilizadas e assumidas continuamente, sendo o espírito de pesquisa essencial, no domínio das atitudes.
A abertura de espírito, o cuidado em tirar conclusões e o cuidado com a avaliação da credibilidade das fontes são elementos fundamentais, em termos de atitude intelectual.
Estas competências e atitudes ocorrem numa perspectiva global em que o pensamento é entendido como uma argumentação com uma dimensão social explícita.
Assim, pese embora a controvérsia em torno das questões curriculares, é consensual que os estudantes têm de aprender a pensar bem e por si próprios, num mundo globalizado e competitivo, em que o desenvolvimento é associado a padrões educacionais elevados.

Pensar criticamente
Pensar criticamente é ajuizar, de forma deliberada e auto-regulada, através da interpretação, da análise, da avaliação e da inferência. O pensamento crítico resulta de um espírito inquisitivo, informado, racional, aberto, féxível, justo, honesto, prudente a julgar, sempre disposto a reconsiderar e a esclarecer, diligente na procura de informação relevante, razoável na selecção de critérios, disposto a investigar e persistente na procura de resultados precisos. Em educação, o pensamento crítico é uma "força libertadora", na vida pessoal e cívica dos cidadãos um poderoso recurso, que forma cidadãos inquisitivos, bem informados, disponíveis para confrontar a sua opinião com a dos outros e de mudar, se necessário, à luz de novos argumentos.

domingo, maio 13, 2007

Leituras

A FILHA DO OFICIAL, de Zina Rohan, Livro publicado pela Portobello, Maio de 2007.

Uma história épica em tempo de guerra. Uma jovem arrastada nos ventos da história tem de enfrentar perigos e escolhas impossíveis.
Marta sempre desejou seguir as pisadas do seu pai, um oficial do exército polaco. Em vez disso, tem de liderar um grupo de raparigas na fronteira entre a Polónia e a Alemanha, no dia da invasão dos Nazis, em 1939. As raparigas refugiam-se numa escola remota, mas temem pela sua segurança.
Quando o exército russo faz Marta prisioneira, esta resiste a uma longa e perigosa viagem, dos campos siberianos a um hospital de campanha na Pérsia.
O livro termina onze anos depois, na Inglaterra do pós-guerra, sendo Marta já uma mulher adulta cujo um processo de maturação envolve ter de recorrer a todas as suas reservas de coragem, para fazer opções impossíveis.Uma história com uma personagem que, não sendo particularmente simpática, nos envolve num processo de crescimento, em que o sofrimento tem um papel estruturante. Começa-se e não se consegue largar até à última palavra. Compele-me a traduzi-lo.