sábado, janeiro 05, 2008


Taxinomia do questionamento socrático


Exemplos de perguntas de esclarecimento


Explique melhor o seu ponto de vista.
Qual é a questão principal?
Como se relaciona com ….?
Pode explicar de outra maneira?
Refere-se a A ou a B?
Do seu ponto de vista, qual é ponto essencial?
Quer dizer A ou B?
Como é que essa questão se relaciona com o que estamos a discutir?
O que pensa que o seu colega quis dizer com a observação que fez?
Pode explicar por palavras suas o que o seu colega acaba de dizer?
Concorda com o resumo que o seu colega fez das suas ideias?
Exemplifique.
Isto seria um exemplo do que acaba de dizer: …?
Pode explicar melhor?
Porque é que faz essa afirmação?

Taxinomia do questionamento socrático


Perguntas sobre implicações e consequências



Quais são as implicações de A?
Quando se diz isto, está implícito que…?
Se A acontece, que consequências são de esperar?
Qual seria o efeito de tal medida?
Isto teria necessariamente que acontecer, ou é uma mera probabilidade?
Haverá alternativa?
Se A é assim, que outras situações podem ocorrer?


Taxinomia do questionamento socrático
Perguntas sobre pressupostos

Qual é o seu pressuposto?
Qual é o pressuposto do seu colega?
Não sei se estou a perceber: parece-me que está a partir do pressuposto A.
Haverá um pressuposto alternativo?
Todo o seu raciocínio depende da ideia A. Porque baseou o seu raciocínio em A e não em B?
Parece-me que parte do princípio de que… porque parte desse principio?
A situação é sempre essa?
Porque pensa que o seu pressuposto se baseia nisso?

Taxinomia do questionamento socrático

Perguntas sobre pontos de vista e perspectivas

Porque se escolheu esta perspectiva e não outra?
Como é que pessoas com opiniões diferentes reagiriam? Porquê? Sob que influência?
Como se responderia a essas objecções?
Alguém vê a questão sob outra perspectiva?
Há discordâncias?
Qual seria a alternativa?
O que há de comum/diferente entre as ideias A e B?


Taxinomia do questionamento socrático


Perguntas sobre razões e provas


Que razões tem para essa afirmação?
Dá-me um exemplo?
Precisamos de obter mais informação?
Estas provas são sólidas?
As razões são razões adequadas?
Há razões para duvidar desta prova?
Quem pode confirmar esta informação?
Que argumentos podem ser aduzidos?
Alguém tem mais provas que sustentem esta perspectiva?
Como se chegou a esta conclusão?
Como podemos confirmar a veracidade?
Como é que se sabe?
Qual é o fundamento desta afirmação?
Porque se pensa que isto é verdadeiro?
Como surgiu esta opinião?
Como é que isso se aplica a este caso?
Existem provas para isto?
Existem outras provas em contrário?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

NO ARAGEM, começou o debate sobre o


REGIME JURÍDICO DE AUTONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DOS ESTABELECIMENTOS PÚBLICOS DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E DOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO





Porque se trata de um debate sobre doutrina legislativa que vai ter impacto sobre o nosso ensino público, sendo por isso um imperativo cívico discutir as diversas perspectivas sobre a matéria, convoco todos os meus leitores para participarem desse debate.

quinta-feira, janeiro 03, 2008




Romper o "ciclo da desvantagem"



A transmissão intergeracional de situações de desvantagem económica e social costuma designar-se por "ciclo da desvantagem".

Este ciclo atinge os estudantes das minorias étnicas e das famílias pobres, desempregadas, pouco escolarizadas; estes factores actuando em multiplicidade produzem efeitos cumulativos.

Torna-se por isso um imperativo encarar o insucesso escolar resultante das desvantagens económicas e sociais e procurar minimizá-lo: combater este ciclo e minimizá-lo é a pedra de toque da eficácia escolar , porque sem equidade a Escola não pode ser eficaz.

É um imperativo ético-filosófico, porque a Escola deve promover a justiça social, a qualidade de vida, idênticas oportunidades e encorajar a auto-estima e a auto-eficácia e as atitudes positivas em relação à aprendizagem.

É um imperativo político, na medida em que a escola deve promover a ac oesão social e a inclusão e fazer dos seusjovens cidadãos activos e informados, que reforcem a democracia.

É um imperativo económico,porque a Escola deve promover a prosperidade dos indivíduos e das famílias, rentabilizar talentos, contribuir para reduzir os comportamentos antissociais que constituem um peso para toda a sociedade.

quarta-feira, janeiro 02, 2008



John Lurie, Men with sticks

Este ano o Colóquio internacional da AFIRSE vai realizar-se entre 21 e 23 de Fevereiro e, como já vem sendo hábito, vou participar nele, desta feita com uma comunicação com o título
A tutoria on-line e as tarefas de dinamização e facilitação: descrição e boas práticas.

terça-feira, janeiro 01, 2008



Convicções: incluir é bom para todos


Há muitos anos que, por opção e por gosto, trabalho com turmas que incluem jovens com necessidades educativas especiais, quer do foro cognitivo, quer do foro comportamental, quer na área da deficiência, seja ela motora, visual, auditiva ou da multideficiência.

Nunca me aconteceu ter a percepção de que o facto de ter uma ou mais crianças com n.e.e. constituísse um entrave de qualquer ordem à aprendizagem ou à socialização dos meninos de ensino regular. Muito pelo contrário: A heterogeneidade que as crianças n.e.e. trazem às suas classes produz efeitos positivos para todos os alunos, reduzindo a competitividade e a fricção, criando oportunidades de desenvolvimento de competências sociais, de valores éticos, tais como a aceitação das diferenças e de empatia interpares.

Os alunos mais "integradores" acabam geralmente eleitos pelos seus pares como delegados de turma e, em termos exclusivamente empíricos, afirmaria sem qualquer dúvida ou rebuço que os ambientes de aprendizagem inclusivos têm efeitos positivos, tanto nas crianças com alterações do desenvolvimento, como nas ditas "normais".

A investigação identifica como pedra de toque da integração as atitudes dos professores e as suas crenças relativamente à inclusão.

Mas há mais, o facto de alguns alunos exigirem de nós maior criatividade em matéria de estratégias de ensino, acaba por ter efeitos positivos nos outros estudantes, na medida em que a diversificação responde melhor aos diversos estilos de aprendizagem.

Nas classes que incluem jovens n.e.e., o clima de colaboração é melhor, existe menor competitividade.

No trabalho de grupo, por exemplo, são menos aceites os alunos que não trabalham do que os alunos com défices cognitivos ligeiros e existe por parte das crianças uma sabedoria indecifrável, na sua beleza intrínseca, para a distribuição das tarefas no grupo, sem ofender ou humilhar aqueles cujo potencial de desenvolvimento é mais baixo.

É minha convicção de que a inclusão tem efeitos positivos no clima da sala de aula, tornando-a menos competitiva, menos agressiva, mais cooperativa, mais coesa e mais eficaz.

Por último, sinto-me mais confiante quantos aos meus conhecimentos e competências e sinto que sou mais eficaz, não apenas porque, sendo as turmas mais pequenas, tenho mais disponibilidade para outros alunos menos autónomos e sinto que ultrapasso melhor todos os obstáculos, mas também porque o clima se torna mais desafiante e a vontade colectiva é mais forte.