sábado, abril 05, 2008

Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Nem te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi...
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto...
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade...
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz...
És a beleza, enfim! És o teu nome!
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço…
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço!
Miguel Torga
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8:03 p.m.
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quarta-feira, abril 02, 2008
Os meus poemas favoritos
Pusemos tanto azul nessa distância
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9:59 p.m.
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terça-feira, abril 01, 2008
Os meus poemas favoritos
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca (com pintura de Chagall)
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8:52 p.m.
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sexta-feira, março 28, 2008
domingo, março 23, 2008
As minhas "clássicas": Satie, Gymnopedies para piano
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10:08 p.m.
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sábado, março 15, 2008
terça-feira, março 04, 2008
MARIA GABRIELA LLANSOL (1931-2008) 
parto escrevendo através da língua portuguesa, tendo deixado por consciência o sol e a água sempre latentes no terreno de Herbais: aqui imaginei, sob a forma de Pessoa, um único rio cósmico que não se quebra em fronteiras e vi-o, sem perplexidade, advir ao real; por essa ocasião, lembro-me de ter sentido o desejo de que não haja países que sejam como guardas de matilha.
Maria Gabriela Llansol, Um falcão no punho, 1985.
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3:25 p.m.
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quarta-feira, janeiro 02, 2008
segunda-feira, dezembro 31, 2007
quinta-feira, dezembro 27, 2007

Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Foto de Stephen Graham, Keyhole
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9:20 p.m.
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quarta-feira, dezembro 19, 2007
Votar na Casa da Música
em http://www.channel4.com/4homes/microsites/S/stirling_prize/2007/vote.html
Para a atribuição do Prémio RIBA Stirling 2007
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12:00 a.m.
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terça-feira, dezembro 11, 2007
Coro da Catedral de S. Paulo: The Lord Bless You and Keep You
(de John Rutter. Se Deus tiver voz, deve soar assim.)
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9:48 a.m.
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domingo, novembro 25, 2007

Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis
(se o domingo chegar para colar os fragmentos da usura dos dias...)
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8:11 p.m.
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sábado, novembro 24, 2007
Who wants to live forever?
Freddie Mercury, 5 de Setembro de 1946 — 24 de novembro de 1991
(...)
But touch my tears with your lips
Touch my world with your fingertips
And we can have forever
And we can love forever
Forever is our today
(...)
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9:26 p.m.
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domingo, novembro 18, 2007

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis
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6:15 p.m.
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sábado, novembro 17, 2007
Canções do mundo
Jerusalém Dourado (Yerushalaim Shel Zahav,Ofra Haza)
O ar da montanha límpido como a água
O odor envolvente dos pinheiros
Vem com a brisa do crepúsculo
E o repicar dos sinos
As árvores e as pedras aquietam-se
Envoltas em sonho
No coração da cidade solitária
uma parede
Encheram-se os poços de água
E as praças de gente feliz
No templo da cidade
Ecoa alto o shofar
Nas cavernas das montanhas
Hão-de brilhar mil sóis
Percorreremos juntos a estrada do Mar morto
Até chegarmos a Jericó.
Jerusalém dourado a luz e bronze
Eu sou o alaúde das tuas canções.
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2:38 a.m.
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sexta-feira, novembro 16, 2007
Pokarekare Ana(canção de amor maori)
Agitam-se As águas do rio
E só voltarão a acalmar-se
quando as atravessares
Volta para mim,
que morro de amor por ti.
Escrevi-te uma carta,
Mandei-te um anel,
Para que todos saibam
Como te amo
Partiu-se-me a pena
Acabou-se-me o papel,
mas o meu amor por ti
Continua firme
Não há Sol que seque
O meu amor por ti
As minhas lágrimas
São como o orvalho da manhã.
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6:54 p.m.
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domingo, novembro 11, 2007

Esta semana vou voltar aos meus meninos que, um dia, a vida deixou à beira do caminho. Vou abrir com eles novos trilhos, inventar com eles a arte de viver, aprender com eles que cada escolho do caminho é um desafio para novas perspectivas.
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5:50 p.m.
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