domingo, setembro 02, 2007

Os rituais
Os rituais entretecem as pessoas em redes de vinculação e de partilha que se entranham no mais profundo da alma humana.
Todas as dimensões da vida são ritualizáveis, particularmente aquelas em que dependemos da rede de apoios da comunidade que nos adopta.
Os rituais, enquanto práticas comunitárias e de grupo, ajudam-nos a dar sentido à vida, a criar uma identidade, a promover laços sociais e as relações interpessoais.
Os rituais acompanham-nos nas grandes transições da vida, como o nascimento ou o casamento e nos momentos de sofrimento mais intenso, como na doença e na morte, em que constituem uma forma de alívio na amargura ou na ansiedade.
Sendo verdade que o abandono progressivo dos rituais enfraquece os laços sociais e deixa-nos mais frágeis perante as situações da vida, não é menos verdade que existe sempre o risco de os rituais se transformarem em algo de repetitivo e empobrecedor: perdida a espontaneidade e a imaginação, perde-se igualmente o poder catalisador e criativo dos rituais.

sábado, setembro 01, 2007

O lado errado das férias II: lavar cortinados

 


Conceitos de aprendizagem:


A aprendizagem colaborativa

O conceito de aprendizagem colaborativa refere-se a uma estratégia de ensino e de aprendizagem em que alunos e professor trabalham em conjunto para um objectivo comum, sendo cada um responsável pela aprendizagem de todos.
A aprendizagem colaborativa inclui um largo espectro de estratégias que não são, nem sistemáticas, nem prescritivas em que a interacção tem um papel importante na mudança conceptual, na reflexão crítica e na resolução de problemas, em domínios complexos e não estruturados.
As estratégias colaborativas tendem a estribar-se mais na interacção social e no diálogo, como sustentáculos da aprendizagem, do que em tarefas mais estruturadas, sendo consensual que a construção e as formas mais profundas de conhecimento resultam do envolvimento dos participantes na coordenação da sua aprendizagem através de processo dialogal.
Entenda-se todavia que o professor é um parceiro essencial do processo, uma vez que é da sua responsabilidade organizar, encorajar e cultivar a dissensão cognitiva entre os estudantes, para utilizar a argumentação como ferramenta de desenvolvimento das competências de raciocínio, já que o “conflito construtivo” facilita o amadurecimento da expressão escrita, em que a qualidade da argumentação tem uma grande importância, designadamente a que contém argumentos, contra-argumentos e clarificações, no desenvolvimento da reflexão crítica.
Podemos então três tipos de discurso académico: o primeiro tipo é de natureza cumulativa, isto é, abunda em formas de concordância entre os participantes, mas falta-lhe um envolvimento autêntico; o segundo tipo é de natureza litigante, em que predomina a discordância improdutiva mas, mais uma vez, carece de envolvimento autêntico; o terceiro tipo é de natureza exploratória e consiste num diálogo em que é possível ajuizar e avaliar publicamente o conhecimento e a argumentação, uma vez que o conflito construtivo é necessário ao desenvolvimento do raciocínio. Um exemplo característico de um processo colaborativo consiste em organizar grupos de discussão, em que os participantes mutuamente se apoiam para explorarem uma área de conhecimento, reflectem sobre casos, debatem e chegam a consensos sobre os assuntos sobre os quais reflectiram. Quais são as tarefas do professor neste contexto de actividades pouco estruturadas? Conceber e organizar as actividades, ensinar (sempre!), dinamizar e socializar.

(imagem retirada de new.math.uiuc.edu)

COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM, um conceito mal compreendido
 

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O conceito de comunidade é tradicional e particularmente caro aos educadores e é por isso que, como Darling-Hammond salienta, corre o risco de se tornar num slogan, tendencialmente mal definido e pouco rigoroso.
Como Popkewitz observou, os conceitos polissémicos que envolvem ideais tendem a tornar-se de tal modo fortes e respeitáveis, de tal modo sujeitos às mais variadas leituras, que acabam por ficar mal explicados e pior compreendidos, opinião reforçada pela subjectividade implícita na definição de McMillan e Chavis quando se referem a um “sentimento de pertença”:

Um sentimento de pertença, um sentimento de que os membros são importantes uns para os outros e para o grupo, uma crença de que as necessidades serão satisfeitas através de compromissos mutuamente assumidos.


A definição de Rasmussen & Skinner realça a multiplicidade de perspectivas, a dissensão, esta sim, susceptível de proporcionar um ambiente favorável à reflexão e ao desenvolvimento intelectual. Para eles, uma comunidade de aprendizagem estimula uma abordagem dos temas sob múltiplas perspectivas, por vezes mesmo conflituais, o que permite um pensamento mais crítico. A diversidade de pontos de vista torna-se assim um aspecto a assumir como necessário ao desenvolvimento de opiniões e de consensos sólidos, como Adler menciona.
Westheimer & Kahne referem-se a interacções ou deliberações suscitadas por interesses e objectivos comuns e Graves valoriza o contexto, referindo-se a um ambiente em que as pessoas interagem de forma coesiva, reflectem sobre o trabalho do grupo e respeitam as diferenças.
Este conjunto de perspectivas sobre o conceito de comunidade de aprendizagem aponta para os elementos essenciais de uma comunidade: a diferença, a interdependência, o sentido de pertença, a ligação, o espírito, a confiança, a interactividade, as expectativas comuns, a partilha de valores e de objectivos e uma história comum.
É bom de ver que as dimensões do conceito variam consoante o contexto e, por isso, há que estudá-lo nos mais diversos campo de acção, designadamente o contexto da sala de aula, sendo de esperar que os seus membros tenham percepções, crenças e sentimentos em tudo idênticos, no essencial, aos acima referidos: que cada um é importante para o grupo e vice-versa, que têm deveres e obrigações entre si e para com a instituição em que se inserem, que a partilha dos objectivos beneficiará as necessidades individuais.
A comunidade educativa pode ser assim definida por quatro dimensões: os objectivos, as expectativas, a interacção e a confiança.
Numa comunidade de aprendizagem, os estudantes interpretam, reflectem e constroem significados e interpretações, num cenário de interacção social necessária ao diálogo propiciador de diferentes perspectivas de um problema, pelo que o conceito tem sido alargado ao próprio corpo de conhecimentos produzidos, na medida em que cada um dos membros de uma comunidade tem de perceber, interpretar e comunicar o conhecimento e a experiência com os seus pares; em comunidades de aprendizagem, , estudantes e professores reflectem sobre interpretações, conhecimentos e experiências, através da participação.
Contudo, uma comunidade de aprendizagem não é de geração espontânea, nem é criada simplesmente, sem que se alimentem as condições para o envolvimento dos participantes, a quem cabe determinar, em última instância, a qualidade da colaboração e passar do mero grupo de trabalho a uma verdadeira comunidade, com as características que lhe são atribuídas.


Os impactos da educação a distância nas instituições de ensino superior: oportunidades e dificuldades

Poder-se-ia dizer que a literatura sobre o futuro do ensino superior está balizada entre estes dois aspectos contraditórios: por um lado, verificam-se inúmeras pressões externas para que as instituições do Ensino Superior se abram à sociedade, procurem novas formas de organização, respondam às necessidades do desenvolvimento económico e social, procurem novos públicos, novas formas de financiamento, desenvolvam a capacidade para a melhoria contínua da avaliação, da reflexão, da auto-transformação e da qualidade; por outro lado, o fenómeno natural e recorrente de resistência organizacional, que não é, aliás, exclusivo do ensino superior, dificulta o desenvolvimento de novas fórmulas que, haverá que reconhecer, colidem com a cultura das instituições e com a própria concepção de ensino baseada no paradigma tríptico sala-professor-alunos; a fórmula da aprendizagem a distância, no conjunto de utilização das tecnologias em meio universitário é a que gera maiores resistências e, porventura, a mais radical, porque obriga a mudanças drásticas e simultâneas a nível institucional, organizacional e cultural.
Uma das expectativas positivas prende-se com a crença de que a abertura da Universidade à modalidade on-line aumentará os níveis de produtividade e de rentabilidade (Green & Steven, 1995); contudo, os investimentos necessários em recursos materiais e de formação são considerados muito elevados; o próprio conceito de produtividade não é particularmente caro ao meio universitário, uma vez que a cultura dominante considera que o que deve impulsionar o investimento é a aprendizagem, o ensino, o currículo e os conteúdos.
Ora, para a maioria dos professores, independentemente do grau em que ensinam, as inovações necessitam de ter vantagens comprovadas; além disso, e ainda que sujeitos a pressões ambientais cada vez mais poderosas, entendem que os conceitos de educação e de distância são incompatíveis. A propósito das pressões, Feenberg, com um currículo insuspeito como inovador e investigador na área da aprendizagem a distância, numa reflexão significativamente intitulada Distance Learning: Promise or Threat escreve:
A aprendizagem a distância, que já foi a parente pobre da academia, está finalmente a ser tomada a sério, mas não exactamente como os primeiros inovadores, como eu próprio, esperavam. Não são os professores que estão a dirigir o movimento da educação em rede. São os políticos, as administrações e as companhias das telecomunicações que descobriram os interesses financeiros da ideia, mas as propostas de “reformulação” radical da universidade provenientes destas forças vão garantidamente provocar a hostilidade dos professores.

Por outro lado, o significado simbólico da sala de aula e as representações associadas, como a distribuição de papéis e das expectativas, o significado atribuído ao conhecimento e à sua transmissão, o controlo, o poder e a influência induzem nos docentes um interesse em preservar as características do ambiente institucional e as práticas convencionais, o que parece ser tanto mais marcante, quanto mais antigas são as instituições.
Como afirma Weathley, quanto mais uma organização define e reforça os factores identitários dos seus profissionais, maior é a resistência a práticas e rotinas alternativas, tanto mais que o processo de legitimação das práticas alternativas é habitualmente acompanhado de um quadro conceptual que critica e questiona os princípios e práticas vigentes.
Contudo, o cenário de fundo do ensino universitário caracteriza-se, como constata Teodoro, pelo decréscimo da influência e da capacidade de atracção das instituições de ensino superior, o que as leva a sofrer uma crise com vários contornos, designadamente a nível institucional, para o qual são necessárias soluções.
Fundamentalmente motivadas por pressões externas, uma das quais se prende com a necessidade social da aprendizagem ao longo da vida e ainda outras, não menos importantes, a necessidade de gerar mais recursos e diversificar públicos, a Universidade tem procurado diversificar a sua oferta, designadamente através do ensino a distância.
Há ainda o desconforto dos docentes relativamente à questão do imperialismo cultural e económico, americano e eurocêntrico, sobretudo se tivermos em conta os interesses económicos que a educação a distância já envolve.
As preocupações traduzem-se num conjunto de assuntos, tais como as questões linguísticas, a tradição educacional, a percepção de imperialismo educacional, as políticas de certificação, a transferência de creditações e as estruturas de apoio locais.

(a imagem foi retirada de www.gsdln.org/i/index)

Le temps de l'amour, Francoise Hardy




C'est le temps de l'amour
Le temps des copains
Et de l'aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures

Car le temps de l'amour
C'est long et c'est court
Ça dure toujours
On s'en souvient

On se dit qu'à vingt ans
On est le roi du monde
Et qu'éternellement
Il y aura dans nos yeux
Tout le ciel bleu

C'est le temps de l'amour
Le temps des copains
Et de l'aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures

Car le temps de l'amour
Ça vous met au cœur
Beaucoup de chaleur
Et de bonheur

Un beau jour c'est l'amour
Et le cœur bat plus vite
Car la vie suit son cours
Et l'on est tout heureux
D'être amoureux

C'est le temps de l'amour
Le temps des copains
Et de l'aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures

Car le temps de l'amour
C'est long et c'est court
Ça dure toujours
On s'en souvient

O lado errado das férias: limpar estantes

 
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sexta-feira, agosto 31, 2007


"Le Jardin de Monet à Vetheuil" (Monet - 1881)

quinta-feira, agosto 30, 2007


Como surgiu o conceito da complexidade, aplicado à vida económica e social
Vivemos numa sociedade em que a qualidade de vida, as perspectivas de mudança social e de desenvolvimento económico dependem cada vez mais das tecnologias da informação.
O conceito de paradigma tecnológico, desenvolvido por Carlota Perez, Christopher Freeman e Giovanni Dosi, que Castells refinou, de modo a incluir os processos sociais, caracteriza-se por cinco aspectos essenciais, que constituem a base material da sociedade da informação:
O primeiro aspecto é que a informação é a sua matéria-prima: ao contrário das anteriores revoluções tecnológicas, em que a informação agiu sobre as tecnologias, são as tecnologias que agem sobre a informação.
O segundo aspecto refere-se à penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias. Tendo em conta que a informação faz parte da actividade humana, todos os aspectos da nossa existência individual e colectiva são moldados pelo novo meio tecnológico.
O terceiro aspecto relaciona-se com a lógica das redes em qualquer sistema, utilizando as novas tecnologias da informação. A morfologia da rede tem acompanhado a crescente complexidade das interacções e pode ser materialmente desenvolvida graças às recentes tecnologias da informação. A lógica das redes permite simultaneamente estruturar o não estruturado e preservar a flexibilidade.
Um quarto aspecto relacionado com o sistema de redes, mas que é particular e distinto, é que o paradigma da informação se baseia na flexibilidade dos processos e das organizações, que se vão alterando pela reorganização dos seus componentes.
O quinto aspecto é a crescente convergência das tecnologias específicas para um sistema altamente integrado, o que gera uma interdependência crescente entre os diversos ramos do saber, impulsionada pelo grande poder da informática.
Estas mudanças extraordinárias levaram a que, nos anos 90, uma rede de cientistas e investigadores convergisse numa abordagem epistemológica comum, identificada pela palavra complexidade.





Eu vou participar no Blog Action Day , no dia 15 de Outubro próximo; a premissa da participação nesta iniciativa é a seguinte:
"O que aconteceria se todos os blogues acordassem num dia para publicarem sobre um determinado assunto?"
A ideia é brilhante:
Um assunto.
Um dia.
Todas as blogovozes.
É comigo.